Uma das lições que aprendi com o que depositei em palavras nestas páginas meias perdidas na Net é que a livre interpretação do que escrevo, normalmente, é sempre diferente da intenção original.
Custou algum tempo, até perceber que os medos e inseguranças que me levaram a depositar palavras perdidas aqui, talvez por falta de coragem de as dizer ou assumir como eu próprio, são os medos e as inseguranças de quem as leu... e quem as leu transpôs para si os seus proprios medos ficando cego ao simples sentimento exposto nos textos. Fosse ele, tristeza, paixão, luxúria ou ternura... Não falo de Amor, porque cada vez mais me convenço que a subjectividade da palavra e o peso emocional que acarreta assusta e distrai mais do que a beleza da manifestação do sentimento.
Como sinto que este Blog está mal aproveitado, e é um espaço para extravasar sentimentos, decidi dar-lhe um novo rumo. Recentemente com a "prática" tenho sido confrontado com novos pontos de vista puros e que me levam a pensar no que sou e no que sinto em relação a tudo o que me rodeia.
Desde o simples cumprimento, de mão... de beijo... de abraço... e como as pessoas se isolam cada vez mais no seu ser e perdem o contacto enriquecedor do acto social.
Hoje na "prática" efectuada em dupla, o instrutor referiu que dois a dois evitamos a aldrabice e fazemos o nosso corpo ir mais longe. Mas, penso no desconforto de trabalhar e exercitar o corpo de forma tão próxima ao corpo de um estranho, e sentir-me invadido e desconfortável no meu espaço. No fim da prática, não posso deixar de pensar que o desconforto é apenas meu e derivado da insegurança que me encerra no meu casulo, na minha "bolha" existêncial.
No fim da prática, verifico que esse desconforto se torna em conforto agradável e que para o ser foi tão simples como libertar o espírito de pensamentos menos correntos e confiar...sim...confiar na pessoa que ao meu lado confia em mim, para juntos ultrapassar as dificuldades e conseguir chegar mais longe mais rápido do que numa prática a só.
Tentando traspôr este sentimento para o dia a dia, sinto que nos isolamos e evitamos o contacto com medo de quem nos rodeia porque projectamos neles os nossos receios. Continuo céptico sobre o funcionamento deste raciocínio fora do ambiente controlado da escola, mas hoje pensei...se eu mudar todos os dias um bocadinho, sem querer posso mudar todos os dias um bocadinho do mundo.
Vou continuar a pensar neste tema...
Até uma Próxima
DiNiS
Custou algum tempo, até perceber que os medos e inseguranças que me levaram a depositar palavras perdidas aqui, talvez por falta de coragem de as dizer ou assumir como eu próprio, são os medos e as inseguranças de quem as leu... e quem as leu transpôs para si os seus proprios medos ficando cego ao simples sentimento exposto nos textos. Fosse ele, tristeza, paixão, luxúria ou ternura... Não falo de Amor, porque cada vez mais me convenço que a subjectividade da palavra e o peso emocional que acarreta assusta e distrai mais do que a beleza da manifestação do sentimento.
Como sinto que este Blog está mal aproveitado, e é um espaço para extravasar sentimentos, decidi dar-lhe um novo rumo. Recentemente com a "prática" tenho sido confrontado com novos pontos de vista puros e que me levam a pensar no que sou e no que sinto em relação a tudo o que me rodeia.
Desde o simples cumprimento, de mão... de beijo... de abraço... e como as pessoas se isolam cada vez mais no seu ser e perdem o contacto enriquecedor do acto social.
Hoje na "prática" efectuada em dupla, o instrutor referiu que dois a dois evitamos a aldrabice e fazemos o nosso corpo ir mais longe. Mas, penso no desconforto de trabalhar e exercitar o corpo de forma tão próxima ao corpo de um estranho, e sentir-me invadido e desconfortável no meu espaço. No fim da prática, não posso deixar de pensar que o desconforto é apenas meu e derivado da insegurança que me encerra no meu casulo, na minha "bolha" existêncial.
No fim da prática, verifico que esse desconforto se torna em conforto agradável e que para o ser foi tão simples como libertar o espírito de pensamentos menos correntos e confiar...sim...confiar na pessoa que ao meu lado confia em mim, para juntos ultrapassar as dificuldades e conseguir chegar mais longe mais rápido do que numa prática a só.
Tentando traspôr este sentimento para o dia a dia, sinto que nos isolamos e evitamos o contacto com medo de quem nos rodeia porque projectamos neles os nossos receios. Continuo céptico sobre o funcionamento deste raciocínio fora do ambiente controlado da escola, mas hoje pensei...se eu mudar todos os dias um bocadinho, sem querer posso mudar todos os dias um bocadinho do mundo.
Vou continuar a pensar neste tema...
Até uma Próxima
DiNiS
4 comments:
Parabéns pela descoberta, agora já só falta senti-lo de facto. Perceber que se é a extensão do outro mesmo quando se está longe, pressupõe a percepçao que os afectos são livres e se transfromam em multiplas coisas. Somos espelhos uns dos outros para sabermos quem somos e o que sentimos. Não há crescimento sozinho, existe apenas em relação com os outros. Não eixtem coisa estanques de interpretação, existem contextos e experiências. E sobretudo tudo o que dizemos vem de nós, e então o crescemos vem de um mundo submarino que está encerrado para lá do consciente.
Já agora......
bolha existêncial chama-se, ironicamente, proxemia.
Fixe que decidiste partilhar. E ainda interessante que foi uma prática partilhada que o fez tomar essa iniciativa.
E ler o teu texto fez-me pensar: se vemos nossos medos no mundo, também vemos nossa evolução no mundo. E acho que foste muito bem ao dizer que quanto mais melhorares a ti, mais melhoras o universo ao teu redor. Segue dividindo essas ideias. E deixa esses sentimentos tomarem asas e chegarem a quem os merecer.
Amei! Quero ler mais desses pontos de vista!
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